Pesquisas atuais conduzidas por instituições como: ACSM,American Heart Association (AHS), recomendam programas individuais de 15 repetições, realizados no mínimo 2 vezes na semana. Cada sessão deve consistir de 8-10 diferentes exercícios que utilizem os maiores grupos musculares. A meta para esse tipo de programa é desenvolver e/ou manter uma significativa
quantidade de força, endurance e massa muscular.
Um dos motivos pelos quais os exercícios com pesos foram incluídos nos
programas de emagrecimento, foi por este parecer aumentar o gasto de energia no repouso, pelo aumento da massa muscular. Sabe-se a redução do gasto de energia no repouso, após a perda de peso, é o principal fator de risco para uma posterior recuperação de peso.
De acordo com o estudo apresentado por Campbell et al., verificou que o treinamento com pesos parece ser eficaz para adultos idosos saudáveis aumentarem o seu gasto energético. Isso ocorre pelo aumento da TMR (mas devido ao aumento metabólico dos tecidos magros e não pelo aumento da massa corporal magra) e ao custo estimado de energia do treinamento com pesos. O estudo foi realizado em homens e mulheres, entre 56 a 80 anos,
durante 12 semanas. Observou-se também que o consumo energético aumentou em 15%, como necessidade de manter o peso corporal destes indivíduos. Mesmo aumentando o consumo energético, constatou-se que o peso corporal manteve-se estável e a massa gorda diminuiu. Através destes dados o treinamento com pesos parece ser uma estratégia efetiva e segura para os programas de controle e perda de peso em adultos idosos.
De acordo, um estudo de Hunter et al., realizado com mulheres idosas de 60 a 77 anos de idade, durante 16 semanas, observou um aumento de quase 100% na oxidação de lipídios após um programa de treinamento com pesos. Estes dados foram analisados através da medição da taxa metabólica pós-treino,
avaliada entre 22 e 44 horas após o término do exercício. Isto sugere que o treinamento com pesos tem um papel importante no aumento do gasto de energia em repouso, parecendo assim, melhorar o perfil metabólico desses indivíduos.
Outro motivo pelo qual o treinamento com pesos parece ser importante para o
controle da obesidade, é pela elevação do VO2 residual pós exercício. Há indicações de que o exercício com pesos causa dramática perturbação homeostática, incluindo elevações no lactato sangüíneo, catecolaminas e
hormônios anabólicos. Essa disfunção da situação homeostática pode levar mais do que algumas horas para se recuperar, mantendo a razão da troca respiratória (R) pós exercício elevada durante um período de 2 horas; e a taxa metabólica de repouso (TMR) elevada aproximadamente por 15 horas, utilizando a gordura como substrato energético durante esse período.
Para provocar este aumento no consumo de oxigênio pós- exercício, os
exercícios de alta intensidade parecem ser mais eficientes que os de moderada intensidade, além de diminuírem o QR pelas próximas 24 horas, facilitando a utilização de gordura durante este período (Chad e Quigley). De acordo,estudos de Melby et al., relacionaram o efeito agudo de uma sessão de treinamento com pesos sobre o gasto de energia pós-exercício.
Segundo os autores, existe relação entre o exercício de resistência de curta duração e alta intensidade com variações consideráveis no volume máximo de oxigênio pós- exercício, pois o gasto de energia decorrente do treinamento pode ser o dobro fora das horas de atividade. Esse aumento no gasto calórico após o treinamento, pode ser explicado pelo chamado
excesso de oxigênio consumido pós- exercício (EPOC), uma vez que o gasto de energia não retorna imediatamente aos níveis de pré-exercício depois de uma sessão de treinamento. A magnitude e duração do excesso de consumo
de oxigênio pós-exercício parece ser influenciado mais pela intensidade do que pela duração da atividade, pois a duração do exercício em “steady-state” parece influenciar a EPOC de uma forma linear, enquanto que o
aumento da intensidade do exercício além de 50 e 60% do VO2 máximo, pode influenciar no EPOC de maneira exponencial. Deste modo,exercício de baixa para moderada intensidade,capaz de ser executado pelo público em geral,
produz pequeno excesso de gasto calórico durante a recuperação, e mostra ter um pequeno impacto no controle de peso.
Os resultados apresentados nessa revisão evidenciam que o exercício físico possui influência positiva no controle da obesidade. Tanto o exercício aeróbio como os exercícios com pesos parecem proporcionar um aumento significativo na demanda energética pós-exercício, mantendo-a acima dos valores de repouso. Os exercícios com pesos oferecem estratégias para o controle do peso corporal através do aumento do gasto calórico,aumento da massa muscular e da taxa metabólica de repouso e também pelo chamado EPOC. Como conseqüência ocorre diminuição no percentual de gordura corporal, favorecendo um emagrecimento seguro e saudável.
Portanto o exercício físico associado a dieta de baixa caloria (800
kcal/ dia) é mais eficiente que uma destas estratégias isoladas, em virtude desse facilitar a manutenção da MCM juntamente com o
emagrecimento. Observou-se também que um aspecto importante para a perda de peso, é a quantidade total de energia gasta durante as 24 horas do
dia e não apenas qual o substrato que está sendo utilizado durante o exercício; o que justifica a maior eficiência dos exercícios executados em intensidades maiores (aproximadamente 70% do VO2 máximo), não importando em que momento do dia a gordura será utilizada como fonte energética.
Sabe-se que os exercícios físicos realizados a uma baixa intensidade utilizam a gordura durante a sua execução, todavia uma quantidade maior de energia gasta na realização dos exercícios de alta intensidade pareceu ser
tão ou mais eficiente para a perda de peso, uma vez que o importante seria garantir um considerável gasto calórico durante a execução do exercício. Para que isso de fato ocorra, faz-se necessário aumentar progressivamente o
volume de exercício através de aumento da intensidade e/ou duração,podendo-se fazer uso do exercício intermitente, onde varia-se tanto a intensidade e duração. Além de proporcionarem um gasto calórico maior, os exercícios realizados em intensidades maiores também parecem gerar adaptações cardiovasculares e metabólicas mais eficientes, com conseqüentes benefícios
à saúde.
Portanto, para que o exercício de fato contribua no processo de emagrecimento, é necessário um gasto de 1.500 a 2.000 Kcal/semana.
Ainda é necessário uma quantidade de estudos que discutam esse assunto, mais eficientes serão os tratamentos de controle da obesidade,doença essa já considerada como um dos maiores problemas de saúde pública.